terça-feira, 28 de novembro de 2017

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: LIBERTAÇÃO

SINOPSE: Problemas na vida, quem não tem? E na adolescência é quando um turbilhão deles desabam nas costas. Isso é o que enfrentam três amigos do 2º ano do ensino médio. Marta é uma novata que chega à escola Sant’Ana despertando olhares e até mesmo desejo. Tímida, mas muito inteligente conseguiu a amizade mais que leal de Renan e Bethy, dois super amigos que enfrentam em suas famílias problemas reais da vida de muitos jovens. Unidos e fortes vão bater de frente com cada um que os importunam, que os fazem chorar, que os deixam desolados. Uma história cheia de crises, tormentos, injúrias, desamor, mas com uma força de vencer que rebaterá tudo isso com um elo fortíssimo. Os três personagens principais têm sérios problemas em suas famílias onde se manifestam no psicológico deles, querendo cada um ter um sonho de libertação. Isso se propaga na escola, onde viverão situações constrangedoras.


Olá, leitores! Hoje, vamos para mais uma resenha de um autor que parece ter um futuro brilhante pela frente, chamado Igor Aguiar. Eu tive a oportunidade de ler os primeiros cinco capítulos do seu livro "Libertação". Primeiramente, eu gostaria de parabenizá-lo pela boa escrita criativa desenvolvida em nesse livro. Congratulações dadas, vamos às impressões pessoais!  A narrativa se concentra na vida de três jovens amigos, chamados: Marta, Renan e Bethy. Os últimos já eram amigos há bastante tempo por estudarem juntos na mesma escola de Ensino Médio. Já Marta os conheceu ao ingressar nessa escola, sendo portanto novata na instituição.


Marta tinha 16 anos e era uma adolescente um pouco tímida, mas muito determinada e inteligente. Adorava as artes e a literatura. Possuía um diário que sempre anotava o que acontecia no seu dia a dia, principalmente seus segredos que nunca contara a ninguém. Não possuía muitas amigas, pois a achavam exibida pelo fato de ser inteligente - na verdade ela sempre foi uma menina sagaz e modesta. Ela era órfã de pai, pois ele havia morrido em um grave acidente de carro. E é muito interessante, o fato de que a Marta tornou-se o alicerce emocional da sua mãe, Helena. O que Marta não imaginava é que a vida lhe reservava mais uma triste surpresa. Sua mãe foi diagnosticada com uma grave doença e ela procurará esconder isso da sua filha. No seu primeiro dia na nova escola, Marta se apaixona por Christian, que é muito educado, simpático e é considerado o jovem mais bonito e paquerado da escola. Entretanto, essa relação provoca fúria em Rebeca, que também ama Christian, e não permitirá que os dois fiquem juntos. Além disso, Marta terá que lidar com o assédio do seu professor de Matemática, Raul, que é descrito levemente como tendo um mau caráter.


Renan, logo se afeiçoou a novata, Marta. Ele é descrito como um menino diferente dos demais por não se interessar por "coisas" de garoto, como futebol. E sim por moda, roupas ou tendências do mundo fashion. E por isso, ele precisará lidar com as crueldades verbais do pai, que o critica por ele não se interessar por nenhuma menina e ter traços afeminados. Renan, se tornou um jovem emocionalmente frágil e recatado por ter que conviver com os insultos do pai, Jorge, que é um verdadeiro crápula, rude, grosseiro, machista e adúltero. Muito tocante o fato de Renan sofrer tanto com a rudeza e grosseria do seu pai, justamente no período da vida em que sua personalidade e sexualidade estão se definindo. Momento em que ele estava amadurecendo e descobrindo sua identidade. E a opinião do seu pai afetava muito sua autoestima. Isso para ele era arrasador, porque eram críticas extremamente maldosas com o objetivo de humilhá-lo e ridicularizá-lo. Muito elogiável o autor tocar em uma questão tão sensível quanto essa. 


Além disso tudo, Renan precisava lidar com as provocações de Duke, um colega de classe insuportável, que o insultava com bilhetes como "sua Barbie ingênua fique espertinha, é melhor você começar a ser macho, se não a chapa vai esquentar”. Muito oportuno o livro abordar essa questão porque bullying é um assunto sério. Recentemente uma pesquisa na Grã-Bretanha revelou que o bullying aparentemente contribuiu para mais de 40% dos suicídios de jovens que a mídia noticiou nesse país. E os jovens com baixa autoestima e os solitários, como o Renan, são vítimas fáceis de agressores. Porque os intimidadores percebem quando alguém não tem muita autoconfiança. Assim esses jovens costumam ser os alvos mais fáceis, pois é pouco provável que reajam ao bullying. E alguns que praticam o bullying tem práticas assim, porque isso os faz se sentir populares e no controle. Considero o Renan um personagem muito bem construído por ser humanizado, sensível e profundo, vivendo em torno de problemáticas muito interessantes que perpassam pelo nosso cotidiano.


Uma outra personagem que vocês conhecerão será a jovem Bethy. Seus pais eram Arthur e Silvia, que nunca foram pais presentes na vida de sua filha, Bethy. Ela acabou tendo uma infância prejudicada, pois não possuía amigos e ficava em casa sozinha, às vezes com uma ou outra empregada que seus pais contratavam. Começou a adolescência debilitada, porque o apoio familiar quase não existia e as transformações do corpo e da mente nessa fase foram restringidas somente a ela. O diálogo de Bethy com os pais sempre fora rápido e sem muitos detalhes. E ela se tornou bastante fechada com os pais e outras pessoas, a não ser com Renan, que já conhecia há algum tempo. Ela amadureceu rapidamente e parecia uma  adulta na tomada de decisões.  E por ter somente Renan como amigo, ela expressou o ciúme e autenticidade quando ele se aproximou de Marta. Entretanto os três colegas logo formaram um trio de amigos e dedicados estudantes que juntos prometem ajudar e proteger uns ao outros a lidarem com os problemas da vida e conflitos familiares.


Fiquei muito curioso para ler a continuação dessa história e saber o que acontecerá com Helena, mãe de Marta, como Renan passou a lidar com as mudanças da sua vida e as reações do seu pai, e saber detalhes do transtorno que Bethy sofria com a ausência dos pais. Na edição em que eu li há alguns erros gramaticais ou de digitação, como: expressões repetidas, ausência de vírgulas em frases que estão no vocativo e alguns pontos na narrativa um pouco evidentes. Mas esses são "detalhes técnicos" que não tiram o brilho da obra que aborda questões tão sensíveis, como: amor, amizade, o poder da gentileza, superação, bullying, conflitos familiares, e tantos outros temas interessantes e envolventes. Cheio de temáticas tão presentes no nosso cotidiano. Incentivo vocês a conhecerem essa obra e a apreciarem sem moderação, porque a fruição é garantida. 


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RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal. 

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