quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

RESENHA DO LEITOR: EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS

SINOPSE: Em Algum Lugar nas Estrelas, da autora norte-americana Clare Vanderpool, é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor. Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam para casa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta – ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz. Clare Vanderpool foi a primeira autora estreante a receber o cobiçado prêmio Newbery Medal, da American Library Association, por Moon Over Manifest, seu livro de estreia. Em Algum Lugar nas Estrelas é seu segundo romance. Comparado a clássicos como Huckleberry Finn, de Mark Twain, Em Algum Lugar nas Estrelas entrou na lista dos mais vendidos do New York Times e vem sendo adotado como um livro indispensável por várias escolas nos Estados Unidos. Uma leitura encantadora para leitores de todas as idades.


Ligar os pontos. Mina mãe dizia que olhar as estrelas tinha a ver com isso. “Lá em cima é como aqui embaixo, Jack. Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontram.”
Pág. 272

Uma história que se passa pouco depois do fim da 2ª guerra mundial e retrata pelo ponto de vista de dois garotos como é sentir a perda de uma pessoa querida. Em Algum Lugar Nas Estrelas, de Clare Vanderpool, publicado no Brasil pela Editora DarkSide, é uma magnífica história sobre acreditar no que os números dizem, afinal eles não são só números, para Early, eles são histórias, texturas, cores, paisagens, vida. A história narrada por Jack Baker, um jovem garoto do Kansas, que perdeu a sua mãe recentemente. Após a perda, seu pai manda o garoto para outro lugar, um colégio interno da Marinha, a Morton Hill, Jack não consegue se encaixar em um lugar tão longe da sua terra natal. As suas edições da National Geographic é o que o mantém ocupado a maior parte do tempo, isso quando não está na biblioteca e é na biblioteca que uma fotografia chama a sua atenção, era um retrato de uma turma, mas foi um garoto que despertou a sua atenção, Jack sentia pena daquele garoto, pois a felicidade estampada em seu rosto indicava que ele não tinha desfrutado dos momentos ruins da vida.


A história se desenrola e Jack conhece um garoto muito peculiar, Early Auden, os dois começam a fazer uma amizade tanto estranha. Jack não conhecia os reais objetivos de Early, mas sabia que ele era o garoto mais esquisito da escola, tudo se complica após o professor de matemática afirmar em uma alua que o número PI era finito, isso foi suficiente para Early começar a separar as suas balas e ouvir um ruído branco. Esse era Early Auden, na minha opinião o melhor e mais bem construído personagem da história (claro que todos são ótimos), Early, segundo a autora, nos padrões atuais poderia receber o diagnóstico de uma forma altamente funcional de autismo, mas como a história se passa em 1945 ele era só mais um lunático. Dentre as suas características, as mais interessantes são: a cada dia ele ouve um artista, domingo: Morzat, Segunda: Louis Armstrong, Terça: Dia sem música, Quarta: Frank Sinatra, Quinta: Dia sem música, Sexta; Glenn Miller, Sábado: Dia sem música, “mas quando chove é sempre Billy Holiday”; contar ou separar por cores a suas balas de goma; fazer você aceitar no argumento dele; ter certeza que ainda existem cascavéis no Maine, etc.


Early também acreditava que o número PI era infinito e que eles cotavam histórias, a história do garoto que teve que se aventurar em lugares desconhecidos para conquistar o seu nome, e para isso ele deveria seguir a grade ursa, a ursa maior. Jack não acredita na história de Early, ele acha que era só mais uma invenção do pobre garoto. Depois de um tempo, chegam as férias, os garotos teriam uma semana livre da escola, mas Jack e Early são os únicos garotos a ficarem no colégio, Jack porque o pai não apareceu para buscá-lo e Early não tinha família, e porque ele partiria em uma cruzada a procura de PI. Jack não concordou nos primeiros instantes, mas depois aceitou, pois não queria ficar sozinho naquele enorme colégio. Então os dois partem a procura de PI, no enorme mar do Maine, mas as descobertas não param por ai, pois PI não era PI, e sim o irmão de Early, isso só faz Jack ter mais dúvidas quanto a sobriedade de Early.


A cruzada é onde toda a magia do livro vai acontecer, na leitura que Early faz com os números e como a jornada de PI se mistura com a dos dois garotos, as aventuras que aconteceram na cruzada, piratas, catacumbas, e a grande ursa (ou urso). Ao longo do livro são contadas duas histórias, a de PI e a dos garotos. A troca de universo, não atrapalha a leitura, pois as duas histórias se conectam e pelo fato de ser criada toda uma estrutura na história de PI, não tem como misturar as duas histórias. A leitura do livro é leve e rápida, a cada capitulo há um desenho de uma constelação, e fazendo menção a linda edição feita pela DarkSide, há desenhos de constelações, mapas celestes, estrelas, espalhados por todo o livro. Recomendo que vocês vejam esse vídeo de Unboxing publicado pela Youtuber Samara Pimenta. Você vai querer mais quando chegar ao final do livro, vai querer conhecer a mente fascinante de Early Auden. E três dicas para quem for ler Em Algum Lugar nas Estrelas: fique bem atento no capitulo 30 “Ursa Maior”; tenha um marca texto por perto; em dias de chuva ouça Billy Holiday. 
“Às vezes, é melhor não ver todo o caminho que se estende diante de você. Deixe a vida surpreendê-lo, Jack. Há mais estrelas por aí do que as que já têm nome. E todas são lindas.”
Pág. 48 


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: ELIAN AURÉLIO
16 anos, mineiro, mas atualmente moro no Rio de Janeiro, estudante, amo livros, séries, filmes, música a arte em geral, confesso que não viveria sem ela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com o Facebook: