quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O SORRISO DA HIENA

SINOPSE: Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem?


Olá, leitores! Hoje, decidi escrever sobre esse livro que tem todas as características de um bom livro de suspense. Gustavo Ávila, o autor, tem uma escrita envolvente que prende os bons amantes de literatura policial. Ávila é a prova de que no Brasil há bons escritores contemporâneos capazes de produzir boas obras literárias. Esse livro possui capítulos curtos e amarrações que jogam o leitor para o capítulo seguinte. O autor criou uma trama complexa que vai além da busca pelo assassino. Ele aborda questões morais, éticas, profissionais e de justiça atrelado a um jogo de suspense somado à questões psicológicas. Ou seja, ele leva o leitor à busca pelo assassino e a reflexões sobre as atitudes dos personagens principais.


Logo no prólogo da narrativa, o leitor encontrará um caso de assassinato que em parte diz ‘’os olhos da criança gritavam, arregalados em um silêncio forçado, uma testemunha impotente que não podia fazer nada para impedir o que via. Preso em uma cadeira, o garoto encarava seu pai e sua mãe sentados à sua frente com as mãos amarradas atrás das costas.  A mulher olhava para o filho, enquanto o olhar do pai subia sobre a cabeça do menino e observava o estranho que estava agora dentro da sua própria casa.’’ Logo o leitor sente um ‘’clima’’ pesado pois sabe que se seguirão atos de tortura e morte na frente de uma criança. E qualquer leitor de suspense sabe o quanto são bons os livros que se iniciam com fatos ou assassinatos macabros que instigam a curiosidade do leitor!


Em seguida, o leitor conhecerá Arthur, um dos melhores detetives da Delegacia de Polícia da cidade. E o interessante é que esse detetive aos dez anos de idade foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, um tipo de autismo que não causa nenhum atraso no desenvolvimento intelectual, mas molda a pessoa com certas particularidades. As mais comuns são pouca interação social, a capacidade de entender emoções não verbais, tendência de falar tudo o que pensa e uma habilidade lógica acima da média. Vale ressaltar, que esse personagem complexo é muito bem construído, direto, objetivo, sagaz e muito inteligente. Com habilidades interessantes para um bom detetive que se envolverá na busca da prisão de um cruel assassino. David, o assassino, começa a procurar casais com filhos de oito anos de idade, para assassinar os pais em um ritual de tortura e morte, sem jamais assassinar a criança. 


Esse assassino testemunhou o assassinato dos seus pais aos oito anos de idade, assim ele quer saber se é possível outras crianças serem cruéis quando se tornam adultas por terem visto seus pais morrerem de forma tão cruel. Para isso, ele vai repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com ele. Em virtude disso, os assassinatos são todos iguais, envolvem basicamente ele invadir a casa da família usando uma máscara, amarrar a criança em uma cadeira e na frente dela cortar a língua do pai e dar um tiro na cabeça da mãe. Um verdadeiro ato de crueldade que mexe com o leitor. Como ele mesmo escreveu ‘’eu já fui uma dessas crianças. Inocente, indefesa, cheia de expectativas coma vida. Até conhecer a natureza cruel do ser humano. Eu vi meus pais serem mortos na minha frente. E eu vi tudo amarrado em uma cadeira, sem poder gritar, sem poder fazer nada. Nada!’’


Assim, ele sem se identificar entrará em contato com William, um renomado psicólogo infantil, que durante a sua tese de Doutorado, escreveu justamente sobre crianças que tiveram que lidar com traumas desse tipo. Entretanto, levaria anos para ele de fato ser preciso em suas pesquisas e precisaria de mais dados para a sua pesquisa ser ainda mais bem-sucedida. Em termos simples, ele precisava de mais casos semelhantes envolvendo o assassinato de casais com filhos e acompanhar esses órfãos por uns 10 anos a fim de melhor mesurar os resultados da sua tese de doutoramento. Como faltava-lhe prática, o assassino escreve-lhe E-mails, mostrando interesse no assunto problematizado por ele em sua pesquisa. O assassino tem interesse pessoal em entender melhor o seu próprio trauma. Para isso, ele vai assassinar esses pais repetindo o mesmo episódio ocorrido com ele na infância. 


Com isso William precisa decidir se ajudará esse assassino por manter o seu silêncio e ser conivente com os assassinatos sem denunciar esse criminoso para a polícia e, assim ter mais dados e corpus para concluir de forma definitiva a sua tese de Doutorado. Assim ele acha que poderia ajudar melhor as crianças que, no futuro, precisassem lidar com traumas semelhantes e ajudá-las a superá-lo sem se tornar também um assassino durante a vida adulta. Assim o autor levanta no livro uma questão moral e de consciência, mediante esse dilema do William. Qual a origem da maldade? Seria uma escolha ou algo inerente ao ser humano? A narrativa do livro mantém viva a curiosidade do leitor, porque ele deseja saber até onde William será capaz de chegar, se Arthur conseguirá solucionar esse caso, e qual será o final do assassino. Além do fato, de que os leitores poderão atribuir os seus próprios juízos de valores sobre as atitudes ou escolhas dos personagens que traça o seu final na narrativa. Enfim, é um thriller psicológico atípico por abordar questões complexas e dilemas morais que prendem o leitor à narrativa desse livro sensacional. Um livro que eu super recomendo aos amantes de romances de suspense!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

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