sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: O HOMEM QUE SABE

SINOPSE: Ao apostar na autonomia da razão, da ciência e da técnica, o homem moderno acreditou que conseguiria construir um mundo melhor do que aquele que lhe era oferecido pela natureza. O homem que sabe apresenta um discurso raro, entre a filosofia e o poema, sobre a atual condição do Homem. Viviane Mosé reflete sobre a Modernidade, oferecendo ao leitor a oportunidade de pensar, por exemplo, sobre como ela pode provocar enormes avanços tecnológicos, mas, ao mesmo tempo, também crises sociais, ambientais e econômicas.


“Ninguém poderá construir em seu lugar as pontes que precisas passar para atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu, somente tu.” (Nietzsche)

Um livro para todos que buscam “saber” um pouco mais do ser humano, do mundo e de si mesmo. Viviane Mosé é daquelas pessoas que sabem se fazer entender, mesmo num mundo tão vasto e complexo, como é o mundo da Filosofia. Dividido em quatro partes, o livro trata da experiência humana, desde o surgimento da consciência da morte, quando o Homo Sapiens se percebeu pensando e tomou consciência de si, até os dias de hoje. Aborda questões básicas da Filosofia, como “Quem somos?” “O que nos tornamos?”, “Que valores queremos estimular ou rejeitar?” O pensamento é o tema principal do livro e perpassa toda a trajetória de seu desenvolvimento. Com uma abordagem clara e pontual, a escritora descreve o pensamento de diversos filósofos e suas posições diante da evolução deste e do conhecimento, entre eles Nietzsche, Schiller, Bataille, Homero, Hesíodo, Sofócles, Sócrates, Hume, Kant, entre outros.


Descreve ainda o primeiro modelo ocidental de pensamento: A mitologia grega. Faz uma síntese da história grega, do surgimento dos mitos ao desenvolvimento do complexo panteão de deuses; do surgimento das primeiras cidades, aos complexos sistemas de leis e valores. Particularmente, o que mais me agradou neste livro, além da escrita de fácil entendimento, foi à contraposição de cada filósofo e seu pensamento em relação aos outros. A riqueza de detalhes nos faz apreciar o trabalho de cada um, sem confundi-los entre si. Essencial para os amantes da Filosofia, mas também para qualquer um que busque saber um pouco mais da própria espécie e de si mesmo.

“A imaginação esquematiza, o entendimento julga e a razão raciocina e simboliza.” (O Homem que Sabe)


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: PEQUENAS GRANDES MENTIRAS

SINOPSE: Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de “Pequenas grandes mentiras”, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de como isso afetará a vida de todos. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o romance de Liane Moriarty explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro. Best-seller do The New York Times na semana do lançamento, Pequenas grandes mentiras foi adaptado para a TV pela HBO e tem estreia prevista para fevereiro. Com 7 episódios, Big Little Lies conta com a produção de Reese Whitherspoon e Nicole Kidman que, com Shailene Woodley, também interpretam as protagonistas.


Oi minha gente! Que saudaaadeees! Estamos aqui para falar da resenha do livro: Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty. E eu amei muitoooo essa leitura. Meu primeiro livro dessa autora e já estou curiosa para ver os demais. O livro passa em uma pequena península chamada Pierwie. Tinha tudo para ser um local bem calmo. O livro narra alguns meses da rotina de várias famílias dessa cidade. Impossível não se apegar com as três histórias principais: Madeline, uma mulher madura, agora vive um segundo casamento com Ed e tem dois filhos pequenos. A primeira filha de Madeline, adolescente, hoje está encantada com o pai que praticamente não ajudara a criá-la quando ainda era um bebê. Abigail tem ótima convivência com a nova esposa do pai, a Bonnie, uma professora de yoga, calma, vegetariana, preocupada em ajudar pessoas pelo mundo, e sua irmãzinha Skie, isso acaba com o coração de Madeline. 


Celeste, uma mulher linda, rica, mãe de gêmeos igualmente lindos, juntamente com o seu marido bem-sucedido, moram em uma casa maravilhosa de frente para praia. Eles tem todo o conforte que o dinheiro pode pagar.


Jane, uma jovem mãe solteira, acabará de chegar à cidade, com seu filhinho Ziggy de cinco anos, um doce de menino, muito companheiro da mãe. A paternidade de pai de Ziggy é um mistério para o menino e também para família de Jane. O menino parece muito compreensivo em relação a isso. Jane tem o costume de se mudar constantemente de cidade, parece não se adaptar a nenhuma “vida” e ainda está em busca de um lugar que realmente a abrace neste mundo.


Como a cidade é pequena, todos acabam se conhecendo. Com os filhos na mesma idade escolar, as mães têm muito em comum e Jane é a nova amiga de Celeste e Madeline. A escola publica de Pierwie, como por tradição, tem uma noite de concurso de perguntas onde foi oferecida uma festa regada a muita bebida para os convidados fantasiados de Elvis e Audrey Hepburn! E um acidente acontece, uma pessoa morre no meio da festa. Os diálogos são alternados com os depoimentos dos pais e professores presentes na festa. E todas essas partes fazem sentido com o que está sendo narrado. O livro foi adaptado a uma série de TV com o mesmo nome, transmitida pela HBO. Protagonizado Por Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley (nossa eterna Hazel Grace), como Celeste, Madeline e Jane respectivamente. Eu amei a série, há algumas diferenças com o livro, mas nada gritante, o contexto parece ser bem fiel ao livro e a história personificada se torna ainda mais incrível. Sim, virei fã, admito!


Eu amei o livro, é uma leitura viciante, não só para descobrir como ocorreu esse crime e como será solucionado e sim pelos acontecimentos na vida em torno dessas pessoas, os segredos, as mentiras dadas a si e a sociedade, o quão humanos somos e como podemos errar e transformar nossas vidas. Os problemas como bullying, é apenas um dos problemas a serem explorados no livro. Sugiro ler o livro antes de ver a série! Será mais surpreendente (eu acho)! Beijos, até a próxima!


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: GREISI SILVA
28 anos, administradora e artesã nas horas vagas, apaixonada por leitura e artes, não vivo sem música, poesia e cinema. Descobri que viajar é preciso e comer pipoca é fundamental para se ter boas ideias.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: SIGRID - A PRINCESA ATRAPALHADA

SINOPSE: Imagine uma princesa linda... Graciosa... Encantadora... Caprichosa... Agora imagine uma que passe longe de tudo isso. Imaginou? Pois é, essa é Sigrid, a habitante mais famosa do pequeno reino de Esker que, ao lado de sua fiel escudeira, Filó, vai aprontar uma verdadeira confusão real.

“Narrador: Era uma vez... Sigrid: Hum... não. Muito clichê. Todas as minhas amigas princesas começaram suas historias assim...”

Quando se começa ler Sigrid, a primeira coisa que vem a mente é: "Outro livro de princesa, como os outros". Mas não... Sigrid não é como as outras princesas, ela é o oposto... Digamos que TOTALMENTE o OPOSTO (risos)... Uma menina nada graciosa, que nascera para alegrar a província de Esker, na Eslovênia. E posso dizer que desde seu nascimento ela já aprontava, mesmo sem saber, já no começo do livro você vai imaginando tudo o que ela vai aprontar por aí (risos)... Sigrid era um terror ambulante, se não estava se machucando, estava deixando seus pais o Rei e a Rainha, e suas babás de cabelo em pé.


“Entretanto, mesmo estabanada, a menina era feliz e, como não tinha irmãos ou irmãs, arrumava diversão em tudo.”

Uma garota de personalidade forte, mas com um coração de ouro. Procurando sempre ajudar os outros. Desde pequena ela tinha em mente que deveria se casar e arrumar um marido, e assim governar todo o reino, mas para todos os seus pretendentes ela arrumava algum jeito de despistá-los. Sigrid não via diferença entre classes ou pessoas, como ela tinha um coração puro, não via maldade ao redor... Tanto que quase se prejudicou por causa dessa sua forma de viver.


“Pai, o senhor é o Rei, mas que vai ter que se casar com o príncipe sou eu.”

Em uma tentativa de arrumar um marido mais rápido para sua filha, o Rei decide fazer um baile no castelo e assim trazer os pretendentes mais perto de Sigrid. Mal sabia ele quantos bailes estaria preparando para conseguir tal proeza... (risos) Não vou falar muito por aqui, pois vou acabar dando spoilers. Então convido você leitor a se aventurar com Sigrid e dar muitas risadas com suas traquinagens...


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: VANESSA RANDO
31 anos, enfermeira, moro em Piracicaba (interior de SP) e os livros são minha vida. Quando não estou cuidando da saúde das pessoas, gosto de entrar em um mundo imaginário e esquecer os problemas da vida real.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: BEIJE-ME EM BARCELONA

SINOPSE: Algo como Persuasão (Jane Austen) na visão de um homem do mundo moderno, esta é a história de Isaque, um jovem estudante que saiu de Vitória – ES para fazer um doutorado em Portugal. Ao descobrir que sua ex-namorada está na Espanha, ele faz uma visita e descobre que ainda a ama. Agora, indo passar a virada de ano em Barcelona, com ela e com novos amigos, Isaque se vê dividido entre ela e a namorada atual, entre aproveitar a oportunidade e o medo de machucá-la novamente, entre ser feliz e se sentir sozinho. Com um orçamento de estudante, Isaque tem menos de três dias para tomar a decisão que poderá mudar a sua vida. Este livro foi premiado no edital de Produção e Difusão de Obras Literárias do Funcultura 2016, da Secretaria do Estado da Cultura do Espírito Santo 2017.


Ei gente, hoje a resenha é de um livro que li para a Maratona Literária Capixaba. Depois vou vir falar sobre a maratona com vocês tá? Agora vamos conversar sobre o livro... Primeiro, amei esse lance de ter "referências" a Persuasão de Jane Austen! Muito legal mesmo!  Isaque é um jovem rapaz de Vitória/ES (viva o ES), que está indo para Portugal fazer doutorado - que inteligente ele né?


Isaque descobre que sua ex-namorada está na Espanha, e quando descobre isso, ele percebe que ainda a ama. O problema de Isaque é: ele tem uma ATUAL NAMORADA no Brasil. E agora ele se vê cheio de dúvidas, como fazer com a ex tão perto e a atual tão longe? Mesmo sendo um livro que retrata as duvidas amorosas de um rapaz, Beije-me em Barcelona traz temas importantes como a desigualdade social. Sem falar claro que o livro ainda fala sobre amizade e sobre ser responsáveis pelos seus próprios erros. 


A importância da amizade e também da humanidade que há em se responsabilizar pelo erro. Fiquei mega feliz de ler um livro tão bom, escrito por um homem - parabéns Fabio Paiva Reis, seu livro é muito bom mesmo! Ah! Já estava esquecendo, o livro é um belo romance narrado por um homem! E, além disso, tudo o autor é CAPIXABA igual a mim!!! Capa linda, diagramação incrível! Parabéns!! Como diria Isaque: deu. #MLcapixaba #leiaeconfie


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: RENARA CABRAL PEREIRA PAVEZ
25 anos, capixaba e casada. Formada em pedagogia. Amo ler e dar aula. A leitura me faz viajar!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO

SINOPSE: Harry Potter quer distância da família tenebrosa com quem é obrigado a conviver para poder assistir a Copa Mundial de Quadribol com Hermione, Rony e a família Weasley. Ele também quer continuar sonhando acordado com Cho Chang de quem gosta (talvez queria mais do que apenas sonhar com ela). Ele quer descobrir quem está por trás de um mistério envolvendo escolas de magia rivais e uma competição que não acontece há mais de cem anos. Ele quer ser um bruxo normal de 14 anos. Infelizmente para Harry Potter, ele não é normal, ele é diferente - até mesmo para os padrões dos bruxos. E neste caso, ser diferente pode ser fatal.


LIVRO: Harry potter e o Cálice de FOGO
AUTOR (A): J.K. ROWLING
NACIONALIDADE: estrangeiro
QTD PÁGINAS: 535
LANÇAMENTO: 2015
EDITORA: ROCCO

"Não faz diferença quem a pessoa é ao nascer, mas o que ela vai ser ao crescer!" - Alvo Dumbledore

Esse, sem dúvida é o melhor livro de todos que li até agora da saga Harry Potter. Neste livro, nosso protagonista vai aprender muito mais coisas, seja sobre amizade, perdão, confiança e a se conhecer um pouco mais e seus limites. Harry Potter estava feliz demais, pois teve a oportunidade de ir à Copa Mundial de Quadribol com os Weasly no final de suas férias de verão, quando acontece algo de muito horrível, principalmente para aqueles que já sabiam o seu significado há tempos atrás. A Marca Negra, símbolo dos Comensais da Morte, servos de Lord Voldermort, lançada justamente da varinha, até então, perdida de Harry, depois que uma grande confusão ter começado. Ao irem para Hogwarts, um novo evento é mencionado, neste novo ano letivo na escola de bruxos não haverá Quadribol e disputas entre as casas e sim um torneio entre três escolas, cada uma com o seu campeão para disputarem mil galeões (moeda de ouro usada pelos bruxos) no incrível Torneio Tribruxo. Apenas três seriam sorteados, um para cada casa. A regra era clara, todos os participantes deveriam ser maiores de idade e estarem cientes de que não poderiam desistir de maneira alguma caso fossem selecionados, mas é claro, pelo infortúnio ou astucia de outrem, Harry também é selecionado, mesmo sendo menor de idade.


“Se você quer saber como um homem é, veja como ele trata seus inferiores e não seus iguais”.

A partir daí, as coisas começam a se desenrolar e tudo parece querer dar mais que errado. A briga entre Harry e Rony; As entrevistas mal feitas e pejorativas de Rita Skeeter, a jornalista do Jornal Diário; Iremos acompanhar as provas assustadoras pelos quais os quatro campeões devem passar, desafiando a lógica, seus aprendizados e a eles mesmos; Também saberemos muito mais sobre algumas pessoas que trabalham na escola ou no Ministério e seus passados; Veremos a ascensão de Voldemort e a morte de um aluno e acompanharemos um drama do passado de Hagrid, também distorcido pela jornalista, e uma nova paixão surgir.


"Tempos difíceis nos aguardam! E em breve teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil!" (Alvo Dumbledore)

Há muitas coisas boas também (não pensem que não rs) e forma como nosso protagonista se destaca por sua humildade, bondade e compaixão, nos deixa sem fôlego a cada página. A transformação de Hermione para o baile a rigor é muito melhor do que no filme (queria ser a Hermione!). O final deste livro me deixou muito emocionada, assim como várias descobertas e reflexões que Harry Potter faz ao longo da trama. Até agora a série está se mostrando maravilhosa e espero conseguir ler todos! Sobre os filmes, também os considero muito bem feitos, mas os livros são grandes complementos para as muitas aberturas que o filme deixa. Por enquanto é só, obrigada!


“Um verdadeiro líder faz o correto não importa o que os outros pensem”.

VITAMINAS:



RESENHA ESCRITA POR: KAROLINA V. S. MELO (Karol Melo)
21 anos, mora atualmente no interior do Paraná. Depois que descobriu o mundo da ficção se tornou uma leitora compulsiva. Ama músicas que a inspirem, e séries de suspense policial, mas não nega um romance clichê. É escritora no blog Verdades e Poesias e sonha em publicar um livro para chamar de seu.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

ENTREVISTA COM DANIELLE SAMPOL, AUTORA DE AS FILHAS DE SELENE

SINOPSE: A pacata Vila Sant’Anna sobrevivia tranquila com seu segredo até duas famílias peculiares se mudaram recentemente. Jovens rodeados de mistérios veem suas vidas afundando em uma espiral de acontecimentos assustadores. Na tentativa de resolver os casos, um policial implacável vê seu passado trazido à tona enquanto monstros apavoram a cidade. Não há espaço para amor, ainda que intenso e visceral, só perseguição, morte e desespero por sobrevivência...
“— A filha da lua não se converte em lobisomem...”.
“— Mentira nunca sai de moda enquanto estiver funcionando...”
“— Sou incapaz de agir como humano...”

Envolvente e aterrorizante, As Filhas de Selene leva o leitor ao extremo em todos os sentidos. Você nunca se sentiu tão perto de algo tão assustador e apaixonante.


Como surgiu a ideia de escrever "As Filhas de Selene”? Eu sempre tive um amor declarado pelo universo dos lobisomens. A inspiração surgiu quando a essência desse gênero se tornou mais escassa e pouco explorada em meados dos anos 1990, então decidi escrever minha própria estória, mas respeitando toda a mitologia em torno dos monstros.

Quanto tempo demorou para a história ficar pronta? Para ser bem sincera, eu comecei a pensar na premissa em 2012, e fui amadurecendo, pois não me sentia segura para escrever esse gênero. Depois que comecei a digitar os primeiros capítulos, a coisa toda durou cerca de 14 meses, por aí.

O que o leitor pode esperar de "As Filhas de Selene"? Essa é uma boa pergunta. (... depois de 5 minutos...) Lobisomem é um gênero que, embora pareça algo bem comum, não é para todos os gostos. E como eu disse que queria resgatar a essência da mitologia, precisei usar elementos que deixariam alguns leitores de estômago embrulhado por causa da violência dos lobisomens, porque monstro dos anos 80 é feio e mau (risos). Em contra partida, também sabia que precisava inserir um contrapeso, uma recompensa. Então plantei uma novelinha na trama; personagens com temperamentos e dramas atuais, alívios cômicos e um leve romance, já que não tem como ninguém ficar declarando amor quando se é perseguido por monstro. A história começa meio rasa, mas não se deixem levar pela primeira impressão.

Qual autor ou autora é seu preferido? Eles de alguma maneira te inspiraram a escrever? Eu não tenho preferências por autores, mas os que mais me inspiraram com suas narrativas foram: Amy Plum (Morra Por Mim), Nalini Sing (Beijo de Arcanjo) e Maggie Stiefvater (Os Ggarotos Corvos).

Se "As Filhas de Selene" pudesse ter uma trilha sonora qual música você escolheria? Para escrever esse livro eu ouvi umas musicas instrumentai, não sei dizer o nome. Parece até brincadeira, mas não lembro mesmo.

Você segue carreira apenas como escritora ou tem outra profissão? Sim. Eu sou professora de artes marciais há mais de 20 anos, fui atleta da modalidade.

Deixe uma mensagem para nossos leitores: Obrigada aos leitores do Vitamina Livros por terem dedicado alguns minutos lendo essa entrevista. Um beijo enorme no coração de todos. Às vezes entramos nos livros, às vezes o livro entra na gente”.

Danielle Sampol tem 43 anos e mora no Rio de Janeiro - RJ.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

RESENHA DO LEITOR: A MORENINHA

SINOPSE: O romance A Moreninha é um marco do início dos romances românticos no Brasil. Conta a história de um grupo de estudantes de Medicina que vai passar a um fim de semana numa ilha. Um deles, Augusto, se diz capaz de resistir a um relacionamento amoroso, e acaba fazendo uma aposta com Felipe, nesta fica estipulado que se Augusto amasse alguém por mais de quinze dias teria de escrever um romance e confessar seu amor. Na ilha, Augusto passa a se envolver com Carolina, a moreninha, irmã de Felipe, que por coincidência é a mesma garota a quem ele fez um juramento de eterna felicidade aos treze anos.


Impressões Pessoais: Olá, caros leitores! Como já sabem eu sou apaixonado pela literatura clássica brasileira, e dessa vez decidir resenhar esse livro de Manuel de Macedo publicado em 1844. Essa obra marca o início do romantismo brasileiro, assim ele é considerado o primeiro romance tipicamente brasileiro, por ter retratado de hábitos de jovens burgueses cariocas. Essa obra fez tanto sucesso que levou Joaquim Manuel de Macedo, que estava no seu primeiro ano acadêmico no curso de Medicina, a desistir da sua vida universitária e a dedicar-se exclusivamente à literatura e ao jornalismo. Vale ressaltar que esse clássico teve duas adaptações para o cinema e duas para a teledramaturgia. Entre 1975 e 1976, ela foi uma telenovela homônima produzida pela Rede Globo, com 79 capítulos, sendo a segunda novela das seis horas produzida em cores.


É interessante que enquanto folhetim A Moreninha foi escrita por Macedo pensando no gosto do leitor, procurando oferecer-lhe aquilo que ele quer ler. Pelo enredo da obra você consegue sentir a leveza nos assuntos abordados e até prever o final, porque o autor não tem a preocupação de promover questionamentos, reflexões filosóficas ou sociais. Mas por meio desse clássico, com personagens e amarrações bem construídas características dos folhetins, posso afirmar que A Moreninha é um romance que visa entreter o leitor, diverti-lo e fazê-lo sonhar, pois o tipo de narrativa e os hábitos dos personagens se aproximam da realidade do leitor. A linguagem dele é simples, próxima do coloquial, o que torna a narração e os diálogos, acessíveis ao público cheios de leveza e vivacidade, adequando-se com perfeição ao tipo de romance que agrada ao público.


Achei bem interessante que o eu-lírico se utiliza de uma técnica conhecida como sinestesia, pois consegue passar ao leitor as feições e sensações quase sensitivas com seu detalhamento, seja dentro da fala dos personagens ou das descrições do ambiente. E por ser um romance urbano o clímax e o desfecho segue os padrões de uma novela de folhetim, no qual ocorre as grandes revelações são esperadas pelo leitor. Nessa obra, temos um narrador próximo de seu leitor, que conduz a todos os pontos que nos é conveniente que saibamos e acompanha de perto todas as cenas, como se estivesse lá ‘’espionando’’. Por isso, o leitor vai encontrar expressões, como ‘’vamos ouvi-los’’, ditas pelo narrador onisciente. O narrador em terceira pessoa, irá se intrometer um pouco na história, bancando o moralista. A importância disso para a obra e a repercussão no leitor é que a utilização deste tipo de narrador causa o aprofundamento psicológico das personagens, o que não ocorreria se o narrador fosse em primeira pessoa.


Um dos pontos mais interessantes dessa história é que há uma ruptura com a figura feminina que prevalecia no século XIX. Moreninha era uma heroína livre, que não queria em momento algum se sentir presa, indo em direção contrária às moças da sua época que buscavam encontrar rapidamente um marido e constituir uma família.  Além disso, há uma crítica social ao casamento, pois, na época, era um ajuste matrimonial, feito pelos pais dos jovens. A união dos filhos ganhava uma conotação de negócio indissolúvel, tratada apenas com a seriedade dos adultos. Outro tema da obra é a fidelidade ao amor da infância, tanto que o enredo traz muitas voltas ao passado que é tipicamente uma característica romântica. Assim essa história tem aspectos interessantes que prendem o leitor como namoros difíceis de começar, paixões impossíveis, personagens misteriosos cuja identidade só se revela no final do romance, conflitos morais entre o dever e a paixão, além de situações equívocas e cômicas. Essa fórmula descoberta pelo Macedo até hoje se encontram em livros de romances românticos, filmes e na teledramaturgia, por isso que há críticos que dizem que Joaquim de Macedo descobriu a receita dos romances que agradam ao público brasileiro. Assim eu recomendo esse livro pelo enredo bem articulado, pelo registro do ambiente carioca e pela sutil harmonização entre amor juvenil e preceitos conservadores, ultrapassando assim a dimensão de uma simples cópia de folhetim europeu.


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão
22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.