quinta-feira, 29 de março de 2018

RESENHA DO LEITOR: MONARQUIA


SINOPSE: Tratado de filosofia política em que conclui pela dualidade do destino do homem. Dante acreditava na necessidade da monarquia para o bem estar das nações e especulou sobre a origem divina da autoridade monárquica.


"Ó geração feliz dos homens,
se vossos ânimos o amor,
que rege os céus, vos reger."

Um livro de difícil leitura, mas de conteúdo vasto e indispensável à nossa compreensão da obra e do legado deixado por Dante Alighieri, que se revela um escritor de ideias abertas e defensor da total separação entre o poder civil e o poder religioso.  Com tradução de Ciro Mioranza, Monarquia nos leva à uma viagem pelo mundo filosófico e político de Dante, que ficou conhecido principalmente por sua obra "A Divina Comédia", mas que teve seu exílio causado por "Monarquia". Nascido em Florença, na Itália, Dante escreveu esta obra, supostamente entre 1310 e 1314, período em que se questionava a autoridade papal em detrimento da autoridade do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Aqui, Dante deixa transparecer seu vasto conhecimento filosófico, político e religioso, fazendo um paralelo entre o poder religioso e o político, citando ao longo da obra seus maiores influenciadores, bem como passagens bíblicas que servem, dentro do contexto, como justificativa para suas teorias.


Basicamente, Dante defende a independência do imperador de qualquer influência do Vaticano, o que obviamente gerou reações conflituosas na Igreja e culminou com seu exílio. No decorrer da obra observamos diversas citações de filósofos e personagens da literatura, que podem ser considerados grandes influências no pensamento e obra de Dante, entre eles Tomás de Aquino, Aristóteles, Virgílio, e diversos outros. Para Dante, a monarquia possui três questões fundamentais: primeiro questiona-se sua necessidade ao bem-estar do mundo; segundo, se os romanos se atribuem de direito o cargo de monarca; terceiro, se a autoridade do monarca vem diretamente de Deus ou de um representante seu. Baseado neste pensamento, a obra foi divida em três capítulos, sendo eles: Livro Primeiro: “Necessidade da Monarquia”; Livro Segundo: "Legitimamente, o Povo Romano Assumiu a Monarquia, ou seja, o Império”; e Livro Terceiro: “A Autoridade do Monarca, ou seja, do Império, Emana Diretamente de Deus”. No primeiro capítulo, o autor argumenta que vivendo em sociedade, o homem só poderá alcançar seus objetivos no meio social, nunca sozinho. Faz também uma diferenciação entre os planos espiritual e terreno.


No segundo capítulo, relaciona diversos fatos históricos que comprovariam sua teoria do governo universal. Mostra que o Império Romano dominou todo o mundo, o que provaria o consentimento divino. O terceiro e último capítulo, discorre e conclui as ideias expostas nos capítulos anteriores. Sendo um tratado de filosofia política argumenta sobre a dualidade das esferas espiritual e terrena/política, sendo que estas não estão subordinadas entre si, mas podem e devem buscar suas finalidades peculiares que se resumem na prática da justiça e da paz (monarquia) e preparação para a vida espiritual (Igreja). Assim é Monarquia, um livro complexo, mas fundamental para o desenvolvimento do pensamento moderno sobre política, religião e o papel exercido por cada um no cenário mundial.


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES
40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

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