quarta-feira, 21 de março de 2018

RESENHA DO LEITOR: O CAPOTE


SINOPSE: Escrito em 1842, é considerada a obra prima da literatura russa. É a história de um pobre funcionário público que, a grandes custos, consegue comprar um novo capote e é roubado no mesmo dia em que o inaugura. Segue-se então, uma via-crúcis pela burocracia russa.


Olá, leitores! Hoje, decidi resenhar para vocês a obra, considerada por muitos teóricos como uma novela da literatura russa, que é O Capote, de Nikolai Gógol. Vocês já sabem do meu amor pela literatura russa e minha muita admiração pelo estilo de escrita dos russos clássicos, como Dostoiévski e Tolstói. Vale destacar que decidi conhecer as obras de Gógol através da leitura da obra Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski. Falando um pouquinho sobre o autor, Nikolai Gógol (Ucrânia, 1809 – Moscou, 1852) foi um vanguardista da literatura russa. De uma família pobre com terras na Ucrânia, ele passou boa parte da infância no campo. Desde jovem, ele desejava ser autor teatral. Em São Petersburgo, Gogól conheceu Puchkin, que o influencia notavelmente. Desde então, ele passou a escrever grandes obras como Almas Mortas, O Retrato, Diário de um louco e tantos outros trabalhos. Suas obras têm sido consideradas por uma parcela da crítica como uma expressão satírica da realidade russa na primeira metade do século 19. Seus contos, novelas e peças de teatros metaforizam o caráter sinistro, estranho e absurdo do império russo e da sua capital, São Petersburgo. Muito se tem discutido sobre em que enquadramento se encaixam as obras de Gógol, mas ele não formou nenhuma escola ou movimento literário. Como disse Dostoiévski: ‘’Todos nós saímos de O Capote, de Gógol’’, entretanto as obras gogolianas transcendem qualquer moldura e classificações literárias.




É interessante como nas obras de Gógol há o movimento dialético onde os opostos se tocam e onde o trágico e o cômico se mesclam a elementos de humor e terror. Na obra, O Capote temos o funcionário público, Akáki Akákievitch, (de natureza passiva e insípida) que trabalhava em uma repartição pública, onde possuía um trabalho mecânico e medíocre de copiar documentos. Conformado com a sua vida patética e monótona, ele rejeita um novo cargo no seu trabalhado, preferido sempre ficar copiando documentos. Fazer essas cópias dava-lhe prazer e satisfação por serem sempre as mesmas atividades. Sempre apegado à repetição e a monotonia. No seu local de trabalho, ele era alvo de chacotas, brincadeiras e zombarias por parte dos seus colegas, sendo assim ignorado pelas pessoas e pela sociedade russa por ser pobre, tímido, solitário e quase gago - ou pelo menos com uma distúrbio de fluência na fala. Durante o rigoroso inverso russo, Akáki percebeu que seu capote já estava velho e desgastado orientado pelo seu alfaiate ele decidi encomendar um novo capote. Após muitos sacrifícios e esforços, como ficar sem comer, ele adquire o seu tão caro capote – que nomeia a história.


Diante dessa nova aquisição, sua vida passa a ter um novo sentido, ele passa a ser elogiado pelos seus colegas que antes zombavam dele e o seu interior passa a se deliciar com a sua pequena conquista. É interessante que com essa parte da narrativa o autor faz uma crítica à hipocrisia e interesses egoístas das pessoas, porque é somente depois de Akáki conseguir o seu capote caríssimo que os seus colegas passam a tratá-lo com dignidade e conferem a ele respeito e considerações. Tanto que decidem convidar Akáki para uma festa a fim de comemorarem sua nova conquista. Dentro deste espaço Akáki tem o seu capote roubado. Eis que lhe roubam o seu precioso bem! A partir daí o desespero toma conta dele e, desarticulado Akáki terá que enfrentar o mundo da burocracia e interesses baseados em posições e status não conseguido com que se façam as devidas diligências para recuperar o seu capote.


Mais do que isso, Akáki será tratado de forma cruel e desumana por não ter grandezas de títulos e posição social por parte daqueles que poderiam ajudá-lo. Deixo vocês descobrirem o final desta narrativa que como prosa de desenvolve com muita fluidez e um toque de humor tão característico nas obras de Gógol. Lembre-se que apesar de ser uma narrativa aparentemente simples, por contar a história de um funcionário público comum e ambientada em um cenário altamente burocrata, superficial e hipócrita do ponto de vista do autor, nos leva às inúmeras reflexões sobre a condição humana e nossa identidade pessoal.


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão

22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

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