quinta-feira, 10 de maio de 2018

RESENHA DO LEITOR: ELOGIO DA LOUCURA


SINOPSE: Neste libelo do teólogo Erasmo de Rotterdam (1469-1536), quem fala é a Loucura. Sempre vista apenas como uma doença ou como uma característica negativa e indesejada, aqui ela é personificada na forma mais encantadora. E, já que ninguém mais lhe dá crédito por tudo o que faz pela humanidade, ela tece elogios a si mesma. O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direção do casamento? Seria suportável a vida, com suas desilusões e desventuras, se a Loucura não suprisse as pessoas de um ímpeto vital irracional e incoerente? Não é mérito da Loucura haver no mundo laços de amizade que nos liguem a seres perfeitamente imperfeitos e defeituosos? Nas entrelinhas de 'Elogio da Loucura', o humanista Erasmo critica todos os racionalistas e escolásticos ortodoxos que punham o homem ao serviço da razão (e não o contrário) e estende um véu de compaixão por sobre a natureza humana.


Terminei e amei cada página deste livro, que pode ser uma comédia, uma sátira, um drama... Enfim, dei risadas, fiz análises, concordei, discordei de alguns pontos, um livro que me fez repensar a sociedade, os valores, a ética, a moral. Uma viagem pela filosofia, história, religião, política, um clássico que mesmo antigo é atual e realista. Erasmo de Rotterdam retratou a sociedade dos séculos XV e XVI, mas tanto tempo depois podemos observar que as coisas não mudaram muito. A intenção do livro é fazer uma brincadeira, uma ironia e uma crítica sobre os comportamentos “loucos e absurdos” de uma sociedade pautada na hipocrisia e na superficialidade. Além de toda a beleza do texto em si, outro ponto positivo do livro são as notas de rodapé desta edição de 2012, (tradução de Ciro Mioranza), que são uma verdadeira aula de história e mitologia.


A “Loucura”, como narradora do discurso, detalha seu papel e importância nas mais diversas áreas, considerando os sábios como os mais infelizes dos mortais. Considera ainda as mulheres como seres frívolos e loucos, cuja função é apenas entreter os homens e mantê-los imersos em sua loucura. De acordo com a protagonista (a Loucura), se Deus representa a sabedoria, o homem é o reflexo da loucura. Um livro que traz à tona uma realidade que o homem tanto tenta ignorar, por se considerar civilizado demais, mas que é a mais pura realidade. No final, somos todos “loucos” em nossa ilusória sanidade. "Não há mal algum quando nada se sente. Todo o mundo te vaia; não é nada, se tu te aplaudes". (Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura)


VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: SIMONE TORRES

40. Pedagoga e Teóloga. Leitora compulsiva, cinéfila e amante dos animais. Fazer arte é o que mais amo depois de ler.

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