terça-feira, 8 de maio de 2018

RESENHA DO LEITOR: O QUINZE


SINOPSE: Este é o primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, publicado em 1930. O título se refere a grande seca de 1915. A trama se dá em dois planos, um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família, o outro a relação afetiva de Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora.


Impressões Pessoais: Olá, leitores! É um prazer poder compartilhar com vocês mais uma leitura fascinante da literatura brasileira. Hoje, escolhi conversar com vocês sobre o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz. Antes de tudo, vale lembrar que na década de 1930, ocorreu no Brasil a consolidação do Modernismo. Na literatura, os romancistas da segunda geração modernista aderiram a certos aspectos cultivados pelo Modernismo, como os temas nacionais e do cotidiano e o cultivo de uma linguagem brasileira, mais popular e coloquial. O regionalismo, em especial o nordestino, foi destaque no romance da década de 30. Ele se distinguiu pela consciência social, ao abordar criticamente a miséria e a exploração do trabalhador rural, as dificuldades por causa da seca e o abuso dos poderosos. Explorando a relação entre o homem e o meio natural e social.

Pessoas, leiam O Quinze! Esse é o romance de estreia de Rachel de Queiroz, onde há traços marcantes da obra literária dela, como prosa enxuta, visão crítica das relações sociais e análise psicológica das personagens. Essa obra tem como tema central a seca de 1915 que castigou o Nordeste e aborda os sentimentalismos e as mazelas da estiagem junto com a religiosidade do sertanejo. Com uma escrita simples, poética e fluida, em curtos capítulos Rachel de Queiroz descreve "a seca nas suas proporções exatas nem mais nem menos". Descreve uma parte do país tão bem quanto Dostoiévski descrevia a Rússia. Justamente, por ela ter apreciado tanto as obras de Fiódor Dostoiévski.


Com isso, o leitor tem a oportunidade de acompanhar o romance da professora Conceição e do vaqueiro Vicente. Um romance que não é um "romance". E vocês saberão o motivo à medida que lerem esse livro. Em seguida, vocês conhecerão a triste história da pobre família de Chico Bento. Pessoas que devido a seca tiveram que lidar com o desemprego, fome, miséria, solidão e até com a morte. Uma família de retirantes  que mesmo sofrendo as piores mazelas não perderam a força, a perseverança e a esperança de dias melhores. Humanos que mesmo diante da escassez não perderam suas virtudes, como o amor ao próximo e a compaixão para com desconhecidos, chegando a dividir com outros o pouco de alimento que ainda lhe restavam na sua longa caminhada entre Quixadá e Fortaleza. Essa triste história, nos mostra os horrores causados pela seca de 1915, e até onde nós humanos podemos "chegar" tentando sobreviver. Um relato que destaca a força do povo nordestino, e a sua condição humana, ao que lidar com os piores sofrimentos causados pela seca. Rachel de Queiroz merece ser lida e relida por ter feito uma denúncia da vida miserável do nordestino pobre, expondo as agruras da seca, da migração e da garra do povo nordestino.


Sobre a autora: Descendente de José de Alencar pelo lado materno, Rachel de Queiroz (1910-2003) nasceu em Fortaleza, Ceará. Em decorrência da seca que se abateu sobre esse Estado em 1915, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1917 e, pouco tempo depois foi para Belém. Tornou-se uma escritora reconhecida no meio literário com apenas 20 anos, quando publicou O Quinze (1930). Além de romancista dedicou-se ao teatro e, especialmente à crônica jornalística. Recebeu vários prêmios literários e foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977.

VITAMINAS:


RESENHA ESCRITA POR: Felipe Maranhão

22 anos. Graduando do 6° período de Letras, da Universidade Federal do Tocantins. Pesquisador em Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com ênfase em bilinguismo Krahô. E amante da literatura universal.

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